Uma agência de viagens investe seis meses em guest posts, chega a 300 novos backlinks e, ao perguntar ao ChatGPT quais são as melhores agências para lua de mel, não encontra o nome da marca em lugar nenhum.
A dúvida que surge nesse momento, se backlinks influenciam a autoridade de uma marca nas IAs, tem uma resposta parcial nos dados mais recentes, e ela contraria parte do que o mercado de SEO repetiu por anos.
Um estudo da Ahrefs com 75 mil marcas e milhões de respostas de IA cruzou dezenas de sinais com a presença das marcas nas respostas do ChatGPT, do AI Mode e dos AI Overviews. O
resultado mostrou que o número de backlinks tem relação fraca com a visibilidade, ao passo que as menções de marca espalhadas pela web acompanham a presença nas respostas com muito mais força.
Esse achado muda a ordem de prioridade de quem constrói autoridade. Os links continuam úteis para o ranking no Google, mas a autoridade percebida pelas IAs nasce de outro material, formado por menções, avaliações, conteúdo audiovisual e consistência de dados. Os blocos a seguir detalham cada sinal e o que fazer com ele.
Backlinks influenciam a autoridade de uma marca nas IAs?
Os backlinks influenciam pouco a autoridade de uma marca nas IAs, segundo o estudo da Ahrefs. A análise usou o coeficiente de correlação de Spearman em marcas com Domain Rating acima de 40 e palavra-chave principal com ao menos 800 buscas mensais, e a quantidade de backlinks apareceu com correlação muito baixa em relação à presença nas respostas.
O Domain Rating, métrica que a Ahrefs calcula a partir da força dos links de um site, também ficou em patamar modesto. A correlação foi de 0,266 no ChatGPT, de 0,285 no AI Mode e de 0,326 nos AI Overviews.
Entre as três ferramentas, os AI Overviews, ligados ao Google, são os que mais valorizam esse indicador, o que combina com a origem da tecnologia.
Vale a ressalva que o próprio estudo faz: correlação não é causalidade. O levantamento mostra quais sinais caminham junto com a visibilidade, mas não prova que uma empresa vai aparecer nas respostas só porque trabalhou determinado sinal. Por isso o dado serve para orientar prioridades, e não para prometer resultado.
Outro ponto de atenção está na amostra. As marcas analisadas já tinham Domain Rating acima de 40, ou seja, já eram sites com algum histórico de links.
Em sites que partem de zero, a leitura pode mudar, porque alguma base de links ainda ajuda os mecanismos a descobrir e rastrear as páginas, etapa anterior a qualquer citação.
A conclusão prudente reúne as duas informações. Os backlinks seguem relevantes como base de descoberta e de ranking, mas o que separa uma marca citada de outra ignorada tende a vir de sinais que ficam fora da contagem de links. O próximo bloco apresenta esses sinais.
O que pesa mais que backlinks na visibilidade em IA?
O que pesa mais que backlinks na visibilidade em IA são as menções de marca na web. No estudo da Ahrefs, a correlação entre menções e presença nas respostas ficou entre 0,66 e 0,71, valor muito acima dos obtidos pelos links, e chegou a 0,709 no AI Mode, a ferramenta em que o efeito apareceu com mais intensidade.
O sinal individual mais forte veio do YouTube. As menções da marca em vídeos tiveram correlação de cerca de 0,737, e as impressões ponderadas por visualizações ficaram em 0,717.
De forma mais clar,a os números sugerem que conteúdo em vídeo, com a marca citada pelo nome, funciona como um dos principais reforços de presença nas respostas.
Os sinais ligados à busca pela própria marca também aparecem com peso. O anchor text de marca, isto é, o texto de link que traz o nome da empresa, teve correlação de 0,628 no AI Mode e de 0,511 no ChatGPT.
Basicamente, o volume de buscas pelo nome da marca ficou em 0,466 no AI Mode e em 0,352 no ChatGPT.
Para facilitar a leitura, os sinais que mais acompanharam a visibilidade podem ser resumidos assim:
- Menções em vídeo: o YouTube lidera, com correlação em torno de 0,74.
- Menções na web: páginas que citam a marca pelo nome, com correlação entre 0,66 e 0,71.
- Anchor text de marca: links que usam o nome da empresa como texto, e não termos genéricos.
- Buscas pela marca: pessoas que digitam o nome da empresa nos buscadores.
O número de páginas do site teve correlação de apenas 0,194, o que desmonta a ideia de que publicar mais conteúdo, sozinho, aumenta a presença em IA. A marca que cresce nas respostas combina reconhecimento externo com páginas específicas, e não apenas volume de publicação.
Por que menções de marca contam mais que links para as IAs?
Menções de marca contam mais que links para as IAs porque os modelos trabalham com linguagem e contexto, e não com a estrutura de links entre páginas. Um link transmite ao Google a indicação de que uma página recomenda outra.
Uma menção em texto mostra ao modelo como a marca é descrita e a que assuntos ela está associada.
Esse mecanismo explica a importância da co-ocorrência. Quando vários sites diferentes citam a marca ao lado de termos como "software de conciliação bancária" ou "agência de GEO", o modelo passa a associar a empresa àquela categoria.
Cada menção funciona como um voto de contexto, mesmo sem nenhum link clicável.
A corroboração também pesa. Os mecanismos de resposta comparam o que o site diz com o que outras fontes dizem e tendem a descartar afirmações isoladas.
Uma marca descrita de forma parecida em um veículo de imprensa, em uma plataforma de avaliações e em um vídeo reúne a confirmação independente que o modelo procura.
Uma análise publicada no Search Engine Land chega à mesma direção ao defender que o contexto é o novo sinal de autoridade: menções aleatórias são tratadas como ruído, e o que conta é a coocorrência da marca com termos do setor, concorrentes e casos de uso (a análise original está no site da publicação).
A consequência é uma mudança de pergunta. Ao invés de questionar quantos links uma página recebeu, a equipe passa a perguntar quem fala da marca, em quais fontes e com quais palavras. A resposta indica onde investir o orçamento de autoridade nos próximos meses.
Backlinks ainda valem a pena para marcas que querem aparecer em IA?
Backlinks ainda valem a pena para marcas que querem aparecer em IA, desde que sejam tratados como parte do trabalho e não como a estratégia inteira.
O ranking no Google continua dependendo de links, e as páginas bem posicionadas costumam ser as primeiras a serem encontradas por qualquer mecanismo que consulte buscadores.
Os links relevantes, vindos de veículos e sites do próprio setor, ainda cumprem outra função: eles geram a menção em texto que as IAs valorizam.
Uma matéria em um portal de contabilidade que cita um software com link entrega os dois sinais ao mesmo tempo, enquanto um link comprado em um blog sem relação com o tema entrega apenas ruído.
O estudo da Ahrefs traz um alerta para marcas pequenas. No AI Mode, as marcas consolidadas levam vantagem sobre as emergentes, e as grandes empresas costumam sair na frente nas respostas.
Para uma empresa com pouco reconhecimento, o caminho passa por nichos específicos, em que perguntas muito particulares têm menos concorrência.
Também vale lembrar o comportamento de cada ferramenta. O ChatGPT apareceu menos influenciado pela autoridade de marca no estudo, e as menções na ferramenta acompanharam a presença publicitária. Já os AI Overviews valorizam mais o Domain Rating.
Cada plataforma pesa os sinais de uma forma, e por isso o acompanhamento precisa ser feito por ferramenta.
A orientação final é de equilíbrio. A equipe que já investe em links mantém o que funciona, filtra por relevância e acrescenta ao plano as frentes de menção, avaliação e vídeo. A equipe que ainda não investe começa pelas menções, que servem aos dois mundos, o do Google e o das IAs.
Como construir autoridade de marca para IAs sem depender só de links?
Construir autoridade de marca para IAs sem depender só de links exige um plano de presença externa com cinco frentes. A primeira é a mais direta: conseguir citações em veículos e publicações do setor que os modelos já consultam.
Entrevistas, dados exclusivos e comentários de especialistas costumam render menções com o nome da marca.
A segunda frente é o vídeo. Como as menções no YouTube lideraram a correlação no estudo, vale produzir conteúdo em formato de entrevista, tutorial ou análise, com a marca citada pelo nome no título, na descrição e na fala.
Um canal de nicho com pouco alcance já adiciona uma fonte independente ao conjunto.
A terceira frente são as avaliações em plataformas de terceiros. Páginas de review e sites de reputação, como o Reclame Aqui no Brasil, aparecem com frequência como fonte nas respostas, e um perfil bem preenchido e respondido reforça a descrição da marca.
A quarta frente é a consistência de dados, com preço, serviços e número de clientes iguais em todos os canais.
Por fim, a quinta frente é a produção de conteúdo próprio com dados originais, como pesquisas, benchmarks e estudos de caso. Esse material gera citações espontâneas porque oferece algo que outras fontes não têm. Para organizar o trabalho, vale seguir esta ordem de execução:
- Mapear as fontes que as IAs já citam nas respostas sobre a sua categoria.
- Priorizar as cinco ou dez fontes com maior chance de aceitar a marca.
- Produzir um ativo com dado próprio que justifique a citação.
- Corrigir os dados divergentes nos perfis e diretórios existentes.
O ritmo realista é de meses, e não de semanas. As menções dependem de terceiros e de novos ciclos de rastreamento, e por isso o acompanhamento mensal evita a conclusão precipitada de que o esforço não funcionou.
Como saber se a autoridade da sua marca já chega às IAs?
Saber se a autoridade da sua marca já chega às IAs começa por um teste de citação com perguntas reais de clientes.
Uma lista de 20 a 30 perguntas, rodada em ChatGPT, Perplexity e Gemini com três repetições cada, mostra em que proporção das respostas a marca aparece e quais concorrentes ocupam o espaço.
O segundo passo é registrar as fontes que a IA usa em cada resposta. Quando um concorrente aparece, vale abrir os links citados e anotar de que tipo de site eles vêm, se são veículos de imprensa, plataformas de avaliação, vídeos ou páginas do próprio concorrente. Essa coluna de fontes indica onde a autoridade está sendo construída.
Três indicadores formam a leitura de rotina:
- Taxa de citação: em que proporção das respostas a marca aparece, por pergunta e por ferramenta.
- Qualidade da menção: se o que a IA afirma sobre a marca está correto e atualizado.
- Origem das fontes: quais sites e formatos sustentam as respostas em que a marca aparece.
A comparação mensal, com o mesmo método, mostra se as ações de menção, vídeo e avaliação estão elevando a taxa. Uma marca que sobe em uma ferramenta e não nas demais costuma ter reconhecimento concentrado em um tipo de fonte, e o ajuste seguinte é ampliar a presença nas outras.
Como a Ande ajuda sua empresa a construir autoridade de marca nas IAs
A Ande Media é uma agência de GEO e trata a autoridade de marca como um conjunto de sinais mensuráveis. O trabalho começa por um teste de citação que mostra onde a marca aparece, onde ela some e quais fontes sustentam as respostas dos concorrentes nas principais ferramentas de IA.
Com esse mapa, a equipe define as frentes de menção, vídeo, avaliação e conteúdo próprio com maior chance de retorno e acompanha a taxa de citação mês a mês.
O plano considera o orçamento da empresa e o estágio de reconhecimento da marca, sem prometer posição garantida. A entrega inclui:
- Mapear as fontes que ChatGPT, Perplexity e Gemini citam na sua categoria.
- Priorizar veículos, plataformas e canais com maior potencial de menção.
- Criar ativos com dados próprios que sustentem citações espontâneas.
- Alinhar os dados da marca em todos os canais externos.
Peça o diagnóstico de autoridade de marca em IA da Ande e descubra quais fontes estão colocando concorrentes nas respostas no lugar da sua empresa.




